Sónia Morais Santos

 

É preciso deixá-los crescer (mas custa)

Escrito por Sónia Morais Santos Quinta, 14 Março 2013 | Visto - 12730

Às vezes, vê-los crescer custa. Deixam de ser tão nossos, passam a ser mais do mundo.


 

Dia do Filho Único

Escrito por Sónia Morais Santos Sexta, 04 Janeiro 2013 | Visto - 14917

Desde que instituímos o DFU, estamos todos mais perto uns os outros, e eles contam os dias até voltarem a ser filhos únicos outra vez. Não que quisessem sê-lo sempre, que não queriam, tanto que até estão sempre a pedir mais irmãos.


   

Ansiedade por antecipação

Escrito por Sónia Morais Santos Segunda, 19 Novembro 2012 | Visto - 7414

A Madalena já fez três anos há dias e não tarda vai, pela primeira Uma vez, para a escola.


   

Viajar com bebés

Escrito por Sónia Morais Santos Quarta, 14 Novembro 2012 | Visto - 7168

Crónica Pais&filhos - fevereiro 2011

   

Este país não é para novos

Escrito por Pais&filhos Quinta, 18 Outubro 2012 | Visto - 6004

Quanto mais formos - dentro dos poucos que somos - mais pressão poderemos exercer...

   

A mulher mais feliz do mundo

Escrito por Sónia Morais Santos Quinta, 11 Outubro 2012 | Visto - 3887

Pois que a nossa festa de «recasamento» foi linda, melhor ainda do que tínhamos imaginado. Os senhores do restaurante Água e Sal, no Parque das Nações, foram uns queriduchos e decoraram as mesas, redondas como convém, com flores naturais e castiçais em ferro...

   

Berrar

Escrito por Sónia Morais Santos Quinta, 20 Setembro 2012 | Visto - 12230

Agora que tenho três filhos é que percebo como pode ser desesperante ter o primeiro. Porquê? Por causa das teorias dos outros.

   

Férias?

Escrito por Sónia Morais Santos Terça, 16 Março 2010 | Visto - 5131

Três dias que pareceram três meses e o último foi pior porque me enchi de 40º de febre e pontos brancos na garganta. quando o Ricardo chegou tivemos de passar a tarde num centro de despistagem da Gripe A, para se concluir que tinha uma amigdalite.


«Ómãeee ele bateu-me! Isso foi porque ele me deu um empurrão primeiro! Não dei nada. Deste, deste. Estúpido! Estúpido és tu. Ó mãeee ele chamou-me estúpido! Isso foi porque tu chamaste primeiro!
– Uééééé-uééééé-uééééé-uééééé!
Viram bem o que fizeram? Viram? Acordaram a Madalena! Só fazem asneiras, caramba! Mãe, quero água… Agora não há água. Mas eu quero água, estou a morrer de sede. Até à praia é um instante, não morres até lá. Morro, morro. Vou morrer, ai, ai que eu morro, tenho tanta sede, mamã, dá-me aguinha. Já disse que não tenho água aqui, está lá atrás no porta-bagagens. Mas mamã eu não aguento mais, cof, cof, cof, vês mamã eu vou morrer de sedinha, cof, cof, cof. Já me estás a enervar, Martim, vês aqui alguma torneira no carro? Hã? Vês, vês? Espera que já bebes quando chegarmos. Se me chateias muito volto para trás e não vamos à praia.
– Uéééééé-uéééééé-uéééééé-uéééééé!
E a miúda que não se cala, hein? Manel, estás a abanar a cadeirinha dela? Estou, mas não adianta. Ainda falta muito para chegarmos à praia? Tenho tanta sede. Mãe, pões o CD do Panda? Mãe, logo vamos aos carrosséis? Vá lá, por favor, vá lá, vá lá, vá lá…
– Uééééé-uéééééé-uééééééé-uéééééé!
Vá. Chegámos. Tirem o cinto. Não consigo tirar o meu! Manel, ajuda por favor o teu irmão a tirar o cinto. Não me ajudes! Não quero que o Manel me ajude. Cala-te, Martim, e deixa o Manel ajudar, que a mãe tem de tirar a Madalena da cadeira e metê-la no sling. E ainda tenho de ir tirar as toalhas, as mochilas e o chapéu. Sai daqui, Manel, não me ajudes que eu consigo sozinho! Ó mãe, ele bateu-me e não me deixa tirar-lhe o cinto! Martim, se eu for aí levas mesmo a sério! Está bem, tira-me lá o cinto, Manel….Mãe, dá-me água. Aguinha, tenho tanta sede…
– Uéééééé-uéééééé-uéééééé-uéééééé!»
E assim foram as nossas férias, mais coisa menos coisa (ia a escrever mais grito menos grito mas, na verdade, no que toca a gritos foi sempre mais do que menos). As duas primeiras semanas foram para esquecer e houve vários momentos em que ponderei se voltar ao trabalho não era mais compensador. Quando as coisas começavam a compor-se (ou a gente principiava a acostumar-se), o Ricardo recebeu um telefonema da empresa. Ah, e tal, temos boas e más notícias, as boas é que foste promovido, parabéns, sim senhor, já merecias, as más notícias é que tens mesmo de voltar mais cedo das férias. O meu homem que não, nem pensar, as férias são sagradas e coiso e tal, a minha mulher é bem capaz de atirar com o carro de um penhasco, coitada, com três crianças uma das quais só com um mês e muito grito preso nos pulmões, não façam isso, vá lá, e entre um choradinho de um lado e muita pressão do outro, lá se estipulou que o promovido havia de ir três dias a Lisboa para depois voltar para as férias. Aqui a valente encheu o peito de ar e fez-se toda sorrisos, armada em mulherzinha compreensiva e delicodoces, incentivando o seu homem a ir, claro que sim, então o que se há-de fazer e afinal de contas o que são três dias, hum?, passam num instante, e para além de tudo vai ser bom para nós, a longo prazo e não sei o quê. A verdade verdadeira é que ainda o fulano não tinha aquecido o lugar em Lisboa e já eu rogava pragas à empresa, a quem o tinha mandado ir e a ele próprio, que por muito trabalho que tivesse, não podia ter mais que uma mãe de três, um dos quais rebelde sem causa e a mais pequena empenhada em seguir a carreira de soprano.  Foram três dias que pareceram três meses e o último foi pior porque me enchi de 40º de febre e pontos brancos na garganta, o corpo a doer como se tivesse levado pancada (e não tinha???), de maneira que quando o Ricardo chegou teve de passar a tarde num centro de despistagem da Gripe A, para se concluir rapidamente que não, esta desgraçada tinha uma amigdalite e assim fiquei o resto das férias a antibiótico e antipiréticos sendo que, infelizmente, nenhum teve o efeito secundário de me deixar temporariamente mouca, de modo a não escutar os berros da minha Madalena, muito pouco arrependida de me fazer a cabeça em água. Como diriam alguns: pensam que é só fazê-los? Pois. Não é, não senhor.

   

«Encegonhei»

Escrito por Sónia Morais Santos Terça, 16 Março 2010 | Visto - 7342

Uma coisa é indiscutível: vou ter saudades do mimo todo que esta gente me dispensa. Mesmo que seja, sobretudo, por eu ser um dois em um.

E vai daí que «encegonhei», primeira pessoa do singular do verbo «encegonhar», verbo inventado de fresco e que significa isso mesmo, acolher a cegonha, deixá-la pousar na nossa casa, receber a trouxa querida e, claro, agradecer a gentileza e desejar à ave uma boa viagem de regresso. Para quem abre a revista pela primeira vez, explicar que esta que agora escreve na primeira pessoa, depositou aqui durante seis meses a história da Ana e do Hugo Rodrigues, dois pais grávidos de primeira viagem que aceitaram ser acompanhados, perscrutados e perseguidos pela PAIS&Filhos (e pela Antena 1, em programa diário), dois grávidos agora feitos pais, e ao que se sabe dois belíssimos pais, que a Maria Leonor está gordinha e sorri e já tem três meses de uma vida sossegada e feliz.
Pois então, para quem não sabe, fica a notícia. A jornalista que acompanhou A Viagem da Cegonha – esta mesma que vos escreve – «encegonhou». E, assim «encegonhada», decidiu aceitar o amável convite da directora da PAIS&Filhos para vir aqui depositar a sua história. De modo que é isto. Estou grávida muito grávida. Tão grávida que a cada hora e meia, mais coisa menos coisa, há alguém que pergunta se são dois em vez de um, há alguém que vai mais longe e quer saber se são três ou até quatro, verdadeira ninhada de gata, a cada duas horas há quem pergunte se está quase, mesmo quase. A verdade é que está. A Madalena nasce lá para meios de Junho, resta saber se será gémeos ou caranguejo, se nasce de parto natural ou, como é mais certo, de cesariana, e se os dois irmãos vão ficar tão apaixonados por ela como já se estima que fiquem.
Os irmãos da Madalena, o Manel e o Martim, têm sete e quatro anos, respectivamente. E deixaram de me olhar como mãe, entidade única, para passarem a encarar-me como mãe-e-Madalena, uma espécie de dois em um em que a parte de mãe está claramente em desvantagem perante a fracção Madalena. Por isso, quando chego do trabalho, recebo um «Madalenaaa!» de cumprimento, beijos e abraços na barriga e, assim remetida para segundo plano, chego a ter de mendigar um beijo na cara, única forma de ter a certeza absoluta de que me beijam mesmo a mim, mãe.
Este amor pré-natal não caiu do céu aos trambolhões, como pozinho de perlimpimpim que a cegonha deixasse cair, mas tem antes sido minuciosamente cultivado por nós, pais, com a partilha de tudo e mais alguma coisa, desde os vestidinhos minúsculos às ecografias, sem esquecer os pontapés que os fazem delirar – creio que imaginando que, pela amostra, em vez de Barbies esta mana vai querer mesmo é jogar à bola como eles e como qualquer ser que se preze.
Esta gravidez, sendo a terceira, em nada se assemelha às outras. A primeira foi o espanto, o mistério, o milagre. E a ignorância, colmatada pela ávida leitura de todos os livros com barrigudas na capa.
A segunda gravidez foi o medo: e se eu não o amo tanto como amo o primeiro filho? Como será possível, de resto, igualar um amor assim? Um receio só ultrapassado quando, acabado de sair de mim, o Martim chorou, e eu também, e assim aprendi que o amor pelos filhos não se divide, antes se multiplica de cada vez que se repete.
Esta gravidez, a terceira, é diferente porque com a aprendizagem anterior o amor nasceu cedo e nasceu forte. E por ser uma menina, sexo muito desejado para o terceiro rebento, a descoberta e a invasão do rosa foi uma graça numa casa predominantemente azul, e uma desgraça num orçamento familiar que vivia em relativo sossego com as heranças de um mano para outro mano.
Certo é que os meses passaram muito mais velozes desta vez. Quando dei por ela, estava grávida, muito grávida. Tão grávida que deixei de responder pelo meu nome e passei a ser a «barrigorda», palavra ternurenta que se inventou cá em casa para me designar, e tão usada e abusada que se perdeu a noção de quem foi o seu brilhante autor, se o Martim, se o pai Ricardo.
Seja de quem for a autoria, é bom que esqueçam o vocábulo mal nasça a Madalena, porque só é giro ser «barrigorda» quando se tem gente dentro. Uma coisa é indiscutível: vou ter saudades do mimo todo que esta gente me dispensa. Mesmo que seja, sobretudo, por eu ser um dois em um.

   

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Editorial.

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