E se um dia partíssemos os cinco pelo mundo?

Indíce do artigo
E se um dia partíssemos os cinco pelo mundo?
Página 2
Todas as páginas

altComo seria bom para o crescimento dos nossos filhos, essa viagem de mil e uma aventuras.


alt

No outro dia pus-me a pensar que gostava de, um dia destes, nem sei bem quando, pegar no marido e nos três filhos, enfiá-los a todos no carro ou numa autocaravana ou coisa assim, e partirmos durante um ano pelo mundo afora. Isso é que era! (A gente passa a vida a dizer que os nossos sonhos é que eram, como se a vida de todos os dias não fosse nada, como se estivesse como que decepada em relação a tudo o que podia ser e não é.) Andar pelo mundo, conhecer pessoas diferentes, costumes diversos, culturas distintas, cheiros, texturas, comidas, paisagens, edifícios… Como seria bom para o crescimento dos nossos filhos, essa viagem de mil e uma aventuras! Como iriam recordá-la, pela vida adiante! Isso é que era, sim senhor!

Estava eu nestas conjeturas quando dei por mim a perguntar, em voz alta: “Ó Manel, o que é que achavas de irmos todos, de carro, conhecer o mundo?” A resposta dele puxou-me com violência para o chão: “Então e a escola?” Ok. O meu filho mais velho é mais arrumado que eu, é preciso encaixar isto e seguir em frente. Ainda assim, não me fiquei: “Talvez no 12º ano… quando estivesses para entrar na faculdade… não sei, talvez pudessem perder um ano. Se calhar ganhavam mais num ano a viajar pelo mundo do que se estivessem na escola. E depois, quando voltassem, logo continuavam os vossos estudos.” Ele olhou-me com desconfiança. E eu própria, ao ouvir-me, não tive certezas.

O que a mim me parece certo é que a maioria de nós vive uma vida demasiado planificada. Como se fosse um guião do qual não se pode fugir. Nascemos, metem-nos numa escola onde ficamos 12 anos, depois é suposto que venha a universidade, o mestrado, talvez o doutoramento. Pelo meio, eventualmente um Erasmus, e depois o emprego (antigamente para a vida, hoje muitas vezes precário) ou o desemprego. Casamos, compramos ou arrendamos uma casa, temos filhos, reformamo-nos, temos netos, morremos. E pronto. É isto o que se espera de nós, cidadãos-rebanho. Depois, há uns que saem da linha e que fazem coisas diferentes. São geralmente vistos com suspeição. Uma suspeição que, cá para mim, é mais inveja do que outra coisa.

Chateia-me isto de fazermos o que é suposto. É mais seguro, garantem-nos. Eu acho que isso era antes. Antes do mundo ser um lugar tão estranho, em que um terrorista pode acabar-nos com a vida ou, no mínimo, com o sorriso numa questão de segundos. Antes de ser uma coisa normal isto de se sair da faculdade cheio de competências e não se encontrar um poiso onde ganhar a vida. De que nos serve sermos todos certinhos e completarmos tudo sem interrupções?



Comentar

Código de segurança
Actualizar

Editorial.

editorial-319

alt

Vamos para a rua!

O recado ficou na porta do quarto: “Não me acordem. Deitei-me tarde e gosto de dormir de...

Consultório

 "O meu filho, que fez recentemente quatro anos, vive intensamente esta altura do ano. Ainda acredita no Pai Natal e acha que é ele quem lhe traz as prendas. Ainda...

Leia Mais