Eduardo Sá

 

Amor de mãe

Escrito por Eduardo Sá Segunda, 08 Agosto 2011 | Visto - 36059

Crónica de Eduardo Sá.

 

É urgente o orgulho

Escrito por Eduardo Sá Segunda, 08 Agosto 2011 | Visto - 19477

Será que à medida em que não nos reconhecemos nos nossos filhos eles morrem, um bocadinho, dentro de nós? Morrem. Se só nos ficarmos por aquilo com que nos magoaram e desistirmos de ser os seus pais.

1.

Muitas crianças não são só um governo-sombra lá em
casa. Na verdade, alegam não perceber as medidas familiares. Ameaçam fazer cair o governo dos pais e mandá-los para as agências de rating, de forma a que eles passem a ser considerados como se estivessem um degrau acima do lixo (como agora se tornou, infelizmente, mais ou menos banal). Claro que, logo a seguir, há sempre quem considere que a democracia familiar tem qualquer coisa de «o povo é quem mais ordena» e que seria preciso um FMI para as famílias com cortes e mais cortes nos benefícios das crianças e muita disciplina no orçamento dos mimos. Outros ficam, unicamente, pela ajuda externa: entregam parte da gestão das crianças a um psicólogo ou a um pedopsiquiatra. Ninguém fala com ninguém, não há medidas estruturais e, no final, espera-se que a cotação das crianças seja revista em alta, como se os «mercados», ao menos aqui, andassem distraídos. Se se compreende que um filho equipare os pais a um fundo de estabilização permanente, na verdade, sempre que eles deitam contas à vida, o seu grande problema não passa tanto por não assumirem os erros de gestão que acumularam mas pelo desconforto, mais ou menos secreto, de não se reconhecerem, algumas vezes, nos filhos que criaram. (Será que à medida em que não nos reconhecemos nos nossos filhos eles morrem, um bocadinho, dentro de nós? Morrem. Se só nos ficarmos por aquilo com que nos magoaram e desistirmos de ser os seus pais.)

2.
Nem sempre os filhos são motivo de orgulho para os pais. Não tanto pela forma como não acumulam vitórias (que, reconheço, os envaidece). Mas pelo modo como parecem não ser sempre as pessoas com que os pais sonharam: nem tão bondosos nem tão compreensivos, nem tão perseverantes ou verticais como os pais desejariam. «São crianças», diremos nós. E, em parte, será assim. Mas, sejamos prudentes: muitos daqueles que, no nosso crescimento, pareciam não ter sensatez, nem quando se tratava de pedir desculpa, foram sendo, pela vida fora, demasiado iguais a tudo o que tinham de mais feio. Porque não foram capazes de ser sensatos. Talvez porque a sensatez resulte duma síntese, simples e exequível, de diversas perspectivas, com as quais não há como não chegar a consequências empreendedoras. Por outras palavras: só a sabedoria nos torna sensatos.

3.
Em relação a tudo aquilo que os nossos filhos podiam ser, como pessoas (e que, por qualquer motivo, não serão, muitas vezes, capazes de alcançar), serão os pais sábios e sensatos? Não poderão estar a demitir-se de ser um «fundo de estabilidade», confundindo pais bonzinhos com pais bondosos e principezinhos com pequenos tiranos? Não hesitarão ser uma entidade reguladora da sensatez aconchegando a vergonha que sentem (com alguns dos seus actos) na vaidade que as conquistas dos filhos logo lhes trazem? Acho que sim. Muitas pequenas vaidades, todas juntas, impedem-nos a todos de ver os nossos erros, as nossas falhas e, até, os nossos sonhos. Vaidade é muito hoje e muito pouco amanhã. É inimiga da esperança. A vaidade é vergonha tímida. Mais que felicidade descartável, é uma culpa que persegue. O orgulho não. Orgulho é tudo o que fica depois de confrontarmos sonhos, projectos e princípios com aquilo que construímos com integridade e com paixão. Casa história com futuro.

4.
Eu acho que nos damos mais como objectos de vaidade do que como motivo de orgulho. Falamos mais das vitórias que dos erros, dos assombros que dos medos. E não lhes falamos, com orgulho, de tudo o que os nossos pais e os nosso avós conquistaram (em condições, incomparavelmente, mais adversas). Todos precisamos de perceber que, ao pé das pessoas que admiramos, somos sempre mais ou menos pequeninos porque até elas podiam ser melhores. A admiração esvazia a vaidade. E é a auto-estrada para o orgulho.

5.
Também nós precisamos de admirar os nossos filhos para nos orgulharmos deles. Porque só eles casam sonhos, projectos e princípios. Erros com esperança e integridade com paixão. Porque só eles nos ensinam que não há esperança sem orgulho. E se a esperança são experiências de amor projectadas pelo tempo, só o orgulho é um passado com futuro.

É urgente o orgulho.
Dos pais pelos filhos.
Dos filhos pelos pais.

   

Eduardo Sá reinventa direitos da criança

Escrito por Eduardo Sá Quarta, 01 Junho 2011 | Visto - 32465

As crianças têm direito a descobrir que os melhores brinquedos são os pais.



   

Ninguém se despede quando diz adeus

Escrito por Eduardo Sá Sábado, 14 Maio 2011 | Visto - 12689

Eu sei que me enganaram por amor, mas o céu que me ensinaram não existe. O que nunca me disseram, é que ninguém se despede quando diz adeus.

   

Página 13 de 13

Editorial.

Prazeres simples

alt

A felicidade está na moda. É tema de livros e dissertações, mote de fotografias e exposições. E receitas não...

Consultório

 "O meu filho, que fez recentemente quatro anos, vive intensamente esta altura do ano. Ainda acredita no Pai Natal e acha que é ele quem lhe traz as prendas. Ainda...

Leia Mais