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Um dia a repetir

Acontece todos os anos por esta altura. Sob pretexto de assinalar o Dia Internacional da Criança, recordam-se direitos e renovam-se boas intenções. Governantes, pais e educadores fazem da criança - nem que seja por um dia -  o centro das suas atenções e prioridades, assumindo culpas, revendo estratégias e apregoando promessas. É sempre bom (“água mole em pedra dura…), mas melhor seria se este enunciado de propósitos se estendesse aos restantes dias do ano e, sobretudo, se se concretizasse em algumas mudanças e ações.

Feito o alerta, resta assumir que também nós, Pais&filhos, aproveitámos a efeméride para “celebrar” a Criança e recuperar compromissos. E assim, nesta edição, lembramos que é importante aliviar a pressão sobre os mais pequenos e deixá-los brincar, damos sugestões para festejar este Dia Internacional em família (e repetir ao longo do ano), mostramos como ensinar a criança a ser solidária e, finalmente, falamos das vantagens de educar os mais novos para as emoções. Na base de tudo isto, a importância de “ser livre” e, sobretudo, de dar o exemplo. Porque, seja no incentivo de novos hábitos ou na vivência de novas sensações, somos nós, adultos (pais, familiares, amigos ou educadores), que temos o dever… e uma palavra a dizer. Como dizia a psicóloga Catarina Rivero no Congresso de Educação Emocional, “somos nós os responsáveis pelo bem-estar de todos”. E isso faz-se todos os dias, nos pequenos detalhes, desde muito cedo. As crianças – e a humanidade, em geral – agradecem.

Cresci com o Festival da Canção. Era o acontecimento televisivo do ano, que eu acompanhava fervorosamente. Depois, eram as letras das canções decoradas, o palco improvisado, a música a tocar no gira-discos (ou na cabeça) e a minha interpretação, desastrada mas convicta, repetida até à exaustão. E ali passava horas a fio, deliciada, a cantar e a dançar. Com o tempo (e o declínio do concurso) desliguei-me das lides festivaleiras. No passado dia 13, inspirada por uma melodia maravilhosa e uma confiança inexplicável, voltei a assistir ao Festival da Eurovisão. E, no dia seguinte, voltei a trautear repetidamente a canção vencedora. Só que, desta vez, o refrão era em português! Desafinada mas feliz e orgulhosa, lá apregoei vezes sem fim aquele hino ao amor. Como eu, muitas pessoas por esse mundo fora (e muitas crianças!). Porque a simplicidade, a beleza e o sentimento são universais… e movem montanhas. Obrigada, Salvador!


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