Contacto pele com pele


alt

O bebé nascia e era afastado da mãe para que esta descansasse ou, em meio hospitalar, era levado para outra sala para lhe serem prestados cuidados ou apenas limpá-lo e vesti-lo. Conforme as modas, tomava banho na banheira normal, ou direto da torneira, ou ainda numa espécie de vaso alto que se pretendia fazê-lo lembrar o útero da mãe. Há alguns anos, os hospitais mudaram a sua atitude, passando a mesa de Vickers para a sala de partos e não numa sala separada. A mesa de Vickers é o local onde se coloca o recém--nascido de forma a ser observado pelo pediatra, se necessário aspirado, aquecido, oxigenado e, finalmente, vestido.

Houve alguma resistência a esta mudança, porque o bebé ficava ao alcance do olhar da mãe e, caso necessitasse de reanimação isso podia impressioná--la negativamente. Porém, a mudança revelou-se positiva, tendo em conta que reduzia a separação física entre mãe e filho. Hoje, o recomendado é que o bebé, assim que possível, fique em contacto pele com pele com a mãe. O ideal é que ao nascer, estando ambos bem, seja logo colocado de bruços sobre o peito da mãe, coberto com uma toalha ou cobertor e com um barrete na cabeça, mantendo a cara destapada. Lavá-lo, vesti-lo, colocar o cueiro com que se vestiu a avó? Nada disso. A redução à expressão mais simples de contacto – pele com pele – só traz vantagens a ambos. A primeira será a manutenção da temperatura, não deixando que o bebé arrefeça, à custa da transmissão do calor da mãe. Poupando os seus recursos energéticos neste processo, o bebé mantém também mais equilibrado o nível de açúcar no sangue e uma melhor estabilidade cardiorrespiratória, facilitando-lhe a adaptação ao meio. O bebé chora muito menos e o processo de amamentação será muito mais fácil. Os estímulos – o tato da pele materna, a perceção da sua temperatura e o odor (não só da pele mas especificamente do mamilo e aréola) acalmam o bebé e tornam-no mais alerta para a amamentação. Por outro lado, este contacto fortalece o vínculo mãe-filho e estimula a libertação materna da hormona facilitadora da amamentação.

O resto das vantagens que podemos adivinhar resultantes deste contacto tão próximo, com o preenchimento das necessidades básicas do recém-nascido, estão a ser estudadas pelas neurociências, mas arriscaria em apostar em indivíduos mais seguros, equilibrados e afetuosos.

Comentar

Código de segurança
Actualizar

Editorial.

Três notas

alt

Setembro é mês de regressar às aulas, mas também de retomar rotinas, reorganizar horários, cortar o cabelo, destralhar a casa, trocar...

Consultório

 "O meu filho, que fez recentemente quatro anos, vive intensamente esta altura do ano. Ainda acredita no Pai Natal e acha que é ele quem lhe traz as prendas. Ainda...

Leia Mais