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Sempre perfeitas

A Internet não havia e os livros eram escassos. Valeram-me os conselhos das mães, as ordens do médico e, sobretudo, a intuição. Apetrechada de um “faro” apurado, hormonas sábias e doses extra de emoção, vivi, tranquilamente, nove meses de gravidez. Com um apetite voraz e uma alegria imensa, com as dúvidas e os receios habituais, mas sem stresses nem preocupações desmedidas. Nunca soube as medidas da minha cintura nem o peso do feto, não contei as semanas e confiei no meu corpo, ignorei o poder da ocitocina e mal me preparei para o parto, quebrei alguns limites e trabalhei até ao último dia. Talvez por saber pouco… e querer aproveitar muito. Sempre feliz, descontraída e, nas últimas semanas, com saudades da barriga.

Já com o bebé nos braços, houve que enfrentar tudo como uma  (completa) novidade: dar de mamar, mudar a fralda, dar banho, aliviar as cólicas, calar os choros, regular os sonos, dosear os colos… Sem livros de instruções nem Google à mão, recorri aos conselhos do médico (e de muitas enfermeiras), às dicas do  Dr. Spock (na altura, praticamente a única literatura disponível) e sobretudo, também aqui, ao bom senso e à intuição. Fiz alguns disparates e errei certos palpites, mas nunca passei uma noite sem dormir nem nunca me deixei vencer pelo cansaço ou abalar pelo caos. E nunca me culpabilizei pelas falhas. O que me ajudou a enfrentar os primeiros dias da maternidade (e talvez os restantes) com serenidade, descontração. Exausta, mas feliz.

Talvez porque, arrisco dizer, não segui religiosamente os manuais nem as regras e as dicas, quer dos “sábios” quer das mais experientes. Não participei em fóruns nem mergulhei nas últimas teorias acerca do desenvolvimento do bebé (que, na verdade, na altura ainda escasseavam ou eram pouco divulgadas). Simplesmente, deixei-me ir, atenta e confiante.
Não quero com isto dizer que, se fosse hoje, com a quantidade de informação disponível e a enorme pressão, não tivesse sido levada na “onda” e tentado, também eu, ser uma mãe (mais) “perfeita”. E uma grávida mais informada, atenta e cuidadosa. Talvez. Mas uma coisa é certa: acredito que isso não teria feito de mim “melhor” mãe.

No mês dedicado à Mãe, falamos de mães perfeitas e imperfeitas, de mães superheroínas e superdescontraídas, de mulheres que se anulam e que se (re)descobrem. Para mostrar, sem julgamentos nem críticas, que nem sempre a busca da perfeição é o melhor caminho. E que, mal ou bem, todas estão a (tentar) dar o seu melhor. O que, só por isso, as torna perfeitas. Parabéns!


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