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Aprender… a viver

Por esta altura, as férias pareciam intermináveis e as saudades da escola chegavam. Nos primeiros anos, era a ânsia de mudar de sala, de conhecer o novo lugar da carteira, de rever as amigas (a quem escrevíamos postais nas férias)  e de aprender coisas novas. Mais tarde, a expectativa de conhecer o horário, a turma, os professores, os colegas e as novas disciplinas. E a determinação em passar mais um ano, de preferência com boas notas! Os cadernos e os dossiês compravam-se na papelaria (os livros aguardavam o anúncio do professor), o horário de papel era preenchido com esmero, a pasta e a secretária organizadas a rigor para a estreia.

O primeiro dia de aulas aguardava-se com agitação, a primeira semana vivida com ansiedade. No final do primeiro mês, as novas rotinas estavam interiorizadas e tudo voltava a girar em torno da escola: deitar e acordar cedo, a viagem de autocarro (e o passe que passei a exibir com orgulho) as aulas e as matérias que devorava com (maior ou menor) curiosidade, os colegas novos (e tempos depois, os primeiros namoricos…), o almoço no refeitório (o quanto eu me deliciava com aqueles ovos mexidos com salsichas!) as correrias nos corredores e os jogos ao intervalo, o regresso a casa em “bando”...

Muitos anos passaram e muita coisa mudou. As férias já não são tão grandes e as amigas veem-se no instagram, os horários conhecem-se no site da escola e as turmas mantêm-se quase sempre iguais, os cadernos são escolhidos no catálogo do supermercado e os livros (e algum do material escolar) encomendados com antecipação.
Mas a emoção e o encanto destes primeiros dias mantêm-se: a excitação de rever os amigos e de conhecer os novos professores, o toque dos cadernos por preencher e os livros a estrear folheados com desvelo, o material escolar a brilhar e a mochila arrumada a primor, a secretária organizada e um rol de promessas para um “bom” desempenho escolar.

Dias inesquecíveis que é bom acalentar na vida dos mais pequenos. E lembrar também que a escola, para lá do seu papel inexcedível na educação e formação, tem também uma função ímpar no desenvolvimento da personalidade e nas competências sócio-emocionais da criança. Em suma, nas ferramentas que a preparam para a vida. Por outras palavras, para lá de ser um local para aprender, é também o sítio por excelência  para descobrir, conviver, tropeçar, chorar, rir, brincar… e sonhar. Cabe a nós, pais, estar atentos, presentes e zelar para que tudo isto se cumpra. Bom ano!

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