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Coisas de Crianças

O Vicente gostava de inventar a poção da imortalidade e de pôr as pessoas todas a falar umas com as outras. A Catarina gosta de estar sempre a correr e adorava ter o super poder de fazer crescer plantas onde não há. O Dinis gosta de crescer devagarinho e  queria ser presidente do mundo para acabar com a guerra e o terrorismo. E a Francisca sonha acordada com ninjas e gostava de ser invisível e capaz de voar para poder visitar todos os países. Loucos? Não! Simplesmente, crianças. A quem o passar do tempo ainda não “roubou” a capacidade de rir, imaginar… e sonhar.
No mês em que se comemora o Dia da Criança, fomos ouvir as crianças. Os seus hobbies e os seus planos, os seus gostos e os seus desgostos, os seus sonhos e os seus sentimentos. E as “suspeitas” confirmaram-se: por mais que mudem hábitos, modas e vontades, a “essência” da criança mantém-se. Pura, por vezes cruel, mas sempre genuína, surpreendente… e divertida.
Porque só ela consegue inventar poções mágicas e voar sem asas, ser invisível e sonhar acordada, dizer disparates e aquecer-nos a alma.
Sim, que “os adultos são diferentes”. Mais sérios, responsáveis, rezingões e “um bocadinho mais secantes”. Porque crescem e começam a falar muito e a pensar em política, a focar-se e a matutar, a fazer birras “diferentes” e a amuar, a usar saltos altos e a deixar de voar. E “nunca se divertem”. Fica o retrato e alguns avisos. E também a certeza de que cabe a nós, pais e educadores, velar para que  meninos e meninas continuem a crescer devagar… e a sonhar.

Mas as crianças não são só caras risonhas ou voos arriscados. No mês da Criança, fomos também saber como se protege este ser (cada vez mais) “especial”. E o cenário não é, propriamente, animador, com uma série de violações a direitos há muito consagrados no papel. Mais ou menos graves e visíveis, aparentemente distantes e estranhas, mas com as quais convivemos todos os dias, tantas vezes com passividade e indiferença.
No mês em que se comemora o Dia da Criança, também há que recordar que continuam a existir crianças a ser vítimas de desigualdades, agressões e abusos. Que deixam marcas profundas para toda a vida. Também aqui, cabe a todos nós, pais e cidadãos, vigiar, denunciar e acautelar. Para que as nossas crianças  continuem a crescer devagar… e a ser presidentes do mundo!

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