Um beijo ajuda a curar

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Uma corrida de bicicleta que acaba no asfalto. Um pontapé na bola que resulta numa queda. Uma subida à árvore que causa arranhões. Todos os adultos sabem que não é possível deixar as crianças ao ar livre sem que, mais tarde ou mais cedo, elas apareçam com pequenas feridas na pele. Para além de uma pomada ou um penso rápido, muita gente opta bem por um ‘mimo’ em forma de beijo na área afetada. Investigadores chilenos garantem que isso não só é positivo a nível emocional como as propriedades presentes na saliva aceleram o processo de cicatrização.

Vicente Torres, catedrático da Universidade do Chile, revela que a descoberta foi feita pela sua equipa, quando os cientistas procuravam determinar por que razão, tendencialmente, as feridas na boca ou na pele ao redor dos lábios tendem a sarar mais depressa. Na origem do processo está o efeito das estatinas presentes na saliva em altas quantidades. Estas proteínas possuem uma ação antimicrobiana e ajudam à recuperação dos vasos sanguíneos afetados, num efeito denominado de angiogénese. Em paralelo, esta substância promove a migração e o contacto de células saudáveis.

Assim, ao aplicar saliva numa ferida da epiderme, são as estatinas que vão ajudar a uma recuperação mais rápida. “Acreditamos que este estudo possa vir a ajudar à criação de novas técnicas de cicatrização de lesões em todo o corpo e não apenas na zona da boca”, afirma o mesmo especialista.

De acordo com um artigo publicado no jornal da Federação de Sociedades Americanas de Biologia Experimental, a equipa chilena começou já a usar os novos conhecimentos sobre o poder curativo das moléculas da saliva na criação de novos materiais de tratamento e, futuramente, no desenvolvimento de implantes epidérmicos.

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