Cinco táticas anti-bullying na escola

alt

O fenómeno de bullying não é exclusivo do meio escolar mas é um facto que é na escola que a maior parte dos casos de abuso e perseguição entre pares se manifestam. Vários estudos mostram que, nos primeiros quatro anos de percurso académico, perto de um quarto dos alunos são vítimas, sendo a gravidade e a frequência dos ataques inversamente proporcional às medidas de reação. Por outras palavras, quando as crianças têm ferramentas de resposta pessoal e social, conseguem driblar mais facilmente as atitudes dos bullies.

Recentemente, a psicóloga australiana Kimberly O’Brien – responsável por um estudo alargado sobre a prevalência do bullying no seu país – elencou cinco táticas que são eficazes para não só precaver os mais novos de ofensivas indesejadas, como também são mecanismos de contra-ataque que não são uma resposta violenta à violência.

1 – Mostrar autoconfiança pelo exemplo

Se o adulto ou adultos de referência da criança em risco mostrarem autoconfiança perante as adversidades, esse é um exemplo que vai permanecer. “O meu conselho é moldar o nosso comportamento ao que desejamos que os mais novos tenham”. Porém, “é importante não confundir confiança com agressão. Por exemplo, é importante que as crianças vejam os pais ou avós a terem uma conversa difícil sem caírem na tentação de agredir verbalmente o outro e também a não se deixarem agredir, bem entendido”.

2 – Assumir o que nos torna únicos

“As crianças não são vítimas de bullying apenas porque são diferentes. São vítimas porque se envergonham e ficam ansiosas sobre o que as torna únicas”. Cabe aos adultos provarem que elas “não têm nada de que se envergonhar, pelo contrário devem orgulhar-se das suas caraterísticas. Não é importante ser igual aos outros, o importante é gostarmos do que somos”. Se isso acontecer, mesmo nas situações difíceis, “existe uma segurança que nos permite fazer frente aos bullies”.

3 – Aumentar os círculos sociais

“Os círculos sociais são importantes em todas as idades, e a infância e adolescência não são exceções”. Fazer amigos “de escolas diferentes, nas equipas desportivas, na vizinhança ou com crianças da mesma idade filhas de amigas dos pais permite aos mais novos criarem uma ‘rede emocional’ que vai muito para além dos cenários em que o bullying pode acontecer”. Quando as coisas não correm bem e não parece haver muitos amigos na escola, “há muitos outros com que as crianças podem contar”.

4 – Agir de “cabeça fria”

Muitas vezes os primeiros sinais de problemas não são percecionados pelos adultos, “que entram em pânico quando se apercebem da situação e tendem a agir sem pensar”. Kimberly O’Brien aconselha a esfriar os ânimos antes de, por exemplo, “confrontar os pais da criança responsável pelo assédio, ou mesmo a própria”, já que atuar irrefletidamente “só tende a fazer escalar o problema”. Depois de “procurar perceber o que realmente se está a passar, a especialista australiana aconselha a família “a falar com o professor ou professores e a não largar o assunto até ser tomada uma atitude pelos responsáveis, sejam eles quem forem. Se necessário mesmo, falar com o diretor da escola ou com o representante policial ou judicial da área. Tudo menos entrar em confronto direto”.

5 – Levar a situação a sério

Para além do bullying propriamente dito, “a pior coisa para a criança vitimizada é não ser levada a sério. É importante que ela seja ouvida, já que é muito difícil, à partida, reconhecer o que lhe está acontecer”. Também é importante não escarnecer ou dizer “que tem de aprender a defender-se”, já que recorrer aos adultos é já uma tática de defesa. Kimberly O’Brien aconselha pais e avós “a sugerirem à criança que escreva ou explique verbalmente aos professores a situação”, uma vez que esta é “uma prova que a família acredita nela”.


Leia também:

Bullying na adolescência e depressão adulta

“Bullying” entre irmãos aumenta riscos de saúde

Mindfulness. Já ouviu falar?

Comentar

Código de segurança
Actualizar

Editorial.

editorial-317

alt

Um dia a repetir

Acontece todos os anos por esta altura. Sob pretexto de assinalar o Dia Internacional da Criança, recordam-se direitos...

Consultório

 "O meu filho, que fez recentemente quatro anos, vive intensamente esta altura do ano. Ainda acredita no Pai Natal e acha que é ele quem lhe traz as prendas. Ainda...

Leia Mais